terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A Parábola do Semeador

“O semeador saiu a semear... parte caiu à beira do caminho... parte sobre a pedra... parte no meio dos espinhos... e parte na terra boa...” Lucas 8: 5-8.


A parábola do semeador, como qualquer outra, descreve a experiência cotidiana de seus primeiros ouvintes. É a partir dessa identificação, que se tem a oportunidade de entender o significado, embora, nem sempre, esse primeiro ouvinte conseguia alcançar o sentido que se propunha, necessitando, assim, de uma explicação, na qual a aplicação era feita. Diante disso, pode-se imaginar a dificuldade que terá um leitor moderno de qualquer parábola antiga, que não encontra nenhuma relação com sua experiência cotidiana. No caso da parábola do semeador, o Senhor Jesus nos deu a aplicação, por isso, apesar de não se identificar com a situação apresentada na parábola, pode-se compreendê-la, sem, contudo, entender plenamente a estória.
Uma vez que a parábola sempre tem relação com o cotidiano do seu primeiro ouvinte, é necessário perguntar: por que alguém semearia na beira da estrada, sobre pedras ou entre espinhos até achar uma terra boa, a qual não conhecia de antemão? Nenhum agricultor faria isso, a menos que não tivesse outra opção para sobreviver. Lucas, no seu livro, nos informa, muitas vezes, que os ouvintes do Senhor Jesus eram pobres (4:18;6:20;7:22 etc), então, não tinham terras para plantar, lhes sobrava a faixa de terra entre a estrada e a propriedade privada ou outra imprestável para o plantio. Esse pobre contava com a “misericórdia de Deus” para achar uma terra que fosse boa e produzisse o necessário para si e sua família por um tempo considerável até uma próxima colheita. Isto significa dizer que a sobrevivência desse pobre dependia do agir de Deus sobre uma natureza “morta”.
Certamente, se reconhece que uma parte no processo de plantar e colher não depende do agricultor, mas é necessário um esforço muito maior do que simplesmente lançar a semente ao chão. Precisa-se selecionar a terra boa, arar, adubar, fazer a cova, lançar a semente, retirar o mato indesejado ao longo do processo de crescimento da planta, regar, colher, armazenar etc. O semeador da parábola, mesmo que quisesse, não poderia fazer tudo isso, a sua dependência de Deus era muito maior que qualquer outro agricultor.
Sabe-se, pela explicação da parábola que o Senhor Jesus nos concedeu, que a semente é a Palavra de Deus (8:11), os tipos diferentes de terra são os corações dos homens (8:12) e as dificuldades para a semente produzir nas terras ruins também são explicadas pelo Senhor Jesus, bem como a produção extraordinária na terra boa é explicada pela retenção e perseverança do ouvinte da Palavra. Mas a razão pela qual alguém semearia de qualquer maneira em qualquer lugar, sem trabalhar a terra que não é sua, não é explicada. Contudo, seus primeiros ouvintes sabiam.
Se nós hoje também soubéssemos, entenderíamos que a pregação da Palavra deve ser feita indiscriminadamente (a toda criatura); que o frutificar da Palavra não depende de nossos esforços, só nos cabe semear; que as terras (as pessoas) não são nossas e nunca serão; que mesmo que a terra for boa (não sabemos de antemão), sua produtividade em relação à quantidade de semente é sem igual (milagre); que o cento a partir de uma semente pode mudar a realidade de muitos famintos, não apenas do agricultor...
Que Deus nos ajude a termos “ouvidos para ouvir” (8:8)!

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