quinta-feira, 19 de março de 2009

Eirene – Paz

“Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio, a inimizade”. Efésios 2: 14.


Eirene é a palavra grega traduzida por paz, seu significado no Novo Testamento é bastante específico, nela está inserido o conceito de reconciliação entre partes que estão em conflito, esse sentido sempre vai aparecer no Novo Testamento.
A partir daí, estará sempre implícito a doutrina da salvação, a qual estabelece a separação entre Deus e o homem por causa do pecado, isto é, o homem está em conflito com Deus. Esse conflito só é apaziguado quando o pecado, que é a razão da ofensa, for perdoado. Por isso o Ap. Paulo afirma em Romanos 8: 1 que “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A paz só vem com a justificação dos pecados, sem ela o homem permanecerá separado de Deus eternamente. Em Efésios 2 o conceito está implícito ao mencionar paz entre o homem e Deus e entre judeus e gentios.
O homem em toda a sua história precisava de paz com seu criador, no início, no Jardim do Édem, o homem entrou em conflito com Deus. A partir daí estava separado de Deus e precisava de uma reconciliação. O próprio Deus estabeleceu a forma pela qual o homem alcançaria reconciliação, já no início mostrou ao primeiro casal que o pecado é sério e seu perdão custa preço de sangue (Gênesis 3: 21). E que chegaria o dia em que o preço seria pago perfeitamente (Gênesis 3: 15), mas enquanto esse dia não chegasse, o homem deveria mostrar sua fé nele através da simbologia do sacrifício perfeito de Jesus Cristo, seu filho. Mesmo com essa condição estabelecida, o homem sempre procurou um caminho próprio e independente, buscando a paz através de seus próprios raciocínios. Caim é um exemplo disso, sabendo o meio pelo qual alcançaria paz com Deus, decidiu estabelecer seu “caminho para paz”, foi recusado por Deus. A rebelião contra Deus, que já estava no seu coração, o levou ao homicídio de seu irmão (Gênesis 4: 3-8). “Um abismo puxa outro abismo...” (Salmo 42: 7).
Quando Cristo diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14: 27). A paz pressupõe conflito, a paz sempre será antecedida pelo conflito, quando assumimos a necessidade de paz, assumimos que estamos em conflito. O homem, no seu interior, sempre soube que reconciliação entre si começa com reconciliação espiritual com Deus. Mas sempre procurou ignorar isso e busca uma paz social sem enfrentar e reconhecer seu conflito com Deus. O mundo busca e oferece paz, mas é ineficaz. Por isso Jesus disse que sua paz é oferecida de modo diferente da do mundo, por que a paz de Cristo está fundada nele mesmo, pois disse: “Estas coisas tenho dito para que tenhais paz em mim” (João 16: 33). Isto é, paz verdadeira só através de Jesus, pois nele somos reconciliados com Deus por meio da cruz como disse o profeta Isaías 53: 5 “Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. E mais através do Ap. Pedro em Atos 10: 36 “Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos”. E de forma conclusiva através do Ap. Paulo em Colossenses 1:20 “E que, havendo feito a paz pelo sangue da cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”.
Assim sendo, é inquestionável o sentido de reconciliação na mensagem do evangelho da paz, e não cabe nenhum outro conceito moderno no uso da palavra paz no N.T.

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