terça-feira, 6 de abril de 2010

A Palavra da Cruz

“Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co. 1.18).


Infelizmente a cruz não traz mais a imagem de horror que representava no século I, qualquer romano que visse a cruz, ou mesmo um desenho dela, lembraria do horror de morte que ela suscitava. O que se dizer da mensagem da cruz? Estaria ela ainda trazendo ao ouvinte o horror da morte? Estaria nos fazendo compreender plenamente o preço que representou para Jesus enfrentá-la no nosso lugar? Assim como ainda nas primeiras décadas da igreja, os crentes de Corinto estavam deixando de lado a mensagem da cruz, pois ela não era nem um pouco atrativa aos ouvintes contemporâneos. Quem estaria disposto a ouvir ou mais a seguir um homem que foi crucificado na cruz, um instrumento de execução reservada aos piores e mais desprezíveis criminosos? Assim também hoje, a mensagem da cruz tem sido suavizada diante de muitos. Precisamos reviver a mensagem da cruz, precisamos voltar a dizer ao homem que “todos pecaram e estão separados de Deus”, que “o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna por Jesus Cristo, nosso Senhor”. Essa tão grande salvação é oferecida ao homem porque Jesus pagou o preço dos nossos pecados naquela cruz. Precisamos lembrar que nós a merecíamos, mas Jesus nos substituiu nela. Quanto maior for nossa identificação com a cruz de Cristo, maior será nossa gratidão, maior será nosso esforço para vencer o pecado, pois saberemos plenamente o que os nossos pecados representaram para Cristo no Gólgota.
A mensagem sobre um homem que foi crucificado e ressuscitou ao terceiro dia é loucura para os que se perdem. De fato, não faz sentido racionalmente, nem mesmo demonstra poder. Daí os “gregos” e os “judeus” a rejeitarem. Uns buscam uma explicação racional para justificar a razão da existência humana, outros buscam uma demonstração sobrenatural de poder. A cruz não os satisfaz. Esses dois grupos atravessaram o tempo e hoje ainda podemos vê-los, mas infelizmente a Palavra de Deus os classifica como os que se perdem. A mensagem da cruz é sabedoria, pois revela o amor imensurável de um Deus gracioso; a mensagem da cruz é poder, pois traz ao mais vil pecador uma transformação de caráter, de sentido de vida inexplicáveis. A sabedoria de Deus pressupõe a ruína total dos esforços humanos para conhecê-Lo e apresenta um caminho de graça que inicia com uma profunda consciência de miséria, passa por um arrependimento profundo de pecados e conduz o homem a plena paz na certeza que todos os seus pecados foram castigados em Jesus. A partir daí o homem é transformado à imagem de Cristo, pois passa a ter a mente de Cristo.
Até que ponto a palavra da cruz tem tido, de fato, parte em nossa vida? Até que ponto o Cristo crucificado e ressurreto tem moldado o nosso viver? Até que ponto Ele tem sido visto em nós? Que a cada dia possamos lembrar a sua cruz e dizer com toda a profundidade merecida “eu aqui com Jesus, a vergonha da cruz, quero sempre levar e sofrer”.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Quando a Fé Some

“E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertam e lhe dizem: Mestre, não te importa que pereçamos!” Marcos 4. 38.



Há muitos momentos na nossa vida que a nossa fé fica tão pequena que parece que sumiu. Não pense que isso só acontece com você, todos os discípulos passam por esses momentos difíceis. No episódio em que Jesus acalma a tempestade, vemos os discípulos demonstrando uma ausência de fé naquele que estava com eles e era poderoso para socorrê-los. A situação estava assustadora, tiveram um dia exaustivo de trabalho, e então, voltavam para casa tarde da noite atravessando o mar que, de repente, ao que parece, levantou-se um grande temporal e eles assustados e sabendo que o barco ia afundar, tentavam de várias maneiras controlá-lo. Ao perceberem que não conseguiriam, se convenceram que era o fim. Chocados com a “indiferença” de Jesus que dormia enquanto lutavam contra o mar revolto, fazem uma afirmação impressionante que, desta vez, choca Jesus, isto é, pensaram que Jesus não se importava se pereceriam ou não e então afirmam: mestre, não te importa que pereçamos! Observe que eles não estavam fazendo uma pergunta, eles estavam afirmando que o mestre não se importava com o destino deles. Foi exatamente essa afirmação exclamativa que chocou Jesus que se levanta, repreende a tempestade e em seguida censura-lhes a falta de confiança nEle. Jesus não esperava que eles repreendessem a tempestade e acalmassem o mar, pois isso é algo que somente Deus pode fazer, por isso quando a tempestade se acalma, eles perguntam entre si: “quem é esse que até o vento e o mar lhe obedecem?”. Mas Jesus esperava que mostrassem confiança nEle e que nunca pensassem que Jesus ficaria indiferente às necessidades deles. Creio que a censura se deu porque ao invés de pedir a Jesus que os socorresse, se convenceram que Jesus não “poderia” fazer nada para mudar a situação a não ser aquilo que qualquer homem faria nessa hora, lutar com seus braços contra a tempestade.
Será que, às vezes, não agimos dessa forma? No meio de uma grande “tempestade”, lutamos com todas as nossas forças para vencê-la e esquecemos que no nosso “barco” tem alguém que pode nos socorrer e acalmar a “tempestade?” Ou pensamos que Jesus não nos ajudará, visto sermos tão pecadores e muitas vezes tão infiéis? O que Jesus espera de nós é a confiança nEle, pois ”sem fé é impossível agradar a Deus”.
Portanto, não sejamos tímidos na nossa fé, sejamos firmes e inabaláveis, sabendo que o nosso Senhor Jesus está conosco até a consumação dos séculos e nos ama e se interessa pela nova vida, cheguemos a Ele com coração contrito e cheio de fé em oração, pois Ele cuida de nós. Aleluia!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Espirituais

“E eu, irmãos, não pude falar a vocês como a espirituais, mas como a carnais, como recém-nascidos em Cristo”. “A respeito de sermos espirituais, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes”. I Coríntios 3:1 e 12:1. (Tradução do autor).


Apesar das duras advertências feitas pelo apóstolo Paulo aos coríntios, em nenhum momento ele crê que os coríntios não eram salvos pela fé em Jesus Cristo, suas duras palavras procuravam despertá-los para uma vida cristã que demonstrasse a imagem de Cristo através do poder do Espírito Santo. Os coríntios não estavam vivendo uma vida controlada pelo Espírito Santo, mesmo assim, Paulo não diz que não tinham o Espírito Santo. Ao chamá-los de irmãos, ele afirma que O tinham, mas teria de falar-lhes como se não tivessem, isto é, como a carnais. Ao fazer a oposição entre carnal e espiritual, Paulo mostra que existe a possibilidade de se encontrar crentes verdadeiros que, num determinado momento, vivem dominados pelo pecado de tal forma que parecem que não são crentes. No Caso dos coríntios, nos primeiros capítulos, Paulo aponta um grave pecado no qual estavam vivendo, isto é, facção. “Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo” (1:12). A divisão entre eles era evidência de uma vida em que os desejos carnais dominavam. Semelhantemente aos descrentes, disputavam em grupos separatistas, ignorando a unidade do Corpo de Cristo, em quem foram salvos.
Ao longo da primeira Carta, Paulo procura despertá-los para uma vida espiritual baseada no fruto do Espírito: amor (13:1-3), longanimidade e benignidade (13:4), domínio próprio (13:4-5), bondade (13:5), fidelidade (13:7), mansidão (13:5, 7), alegria (13:6) e paz (13:7). Ele os convida a um caminho melhor, um caminho que os conduzirá a uma vida espiritual. Diante de tantos pecados: facção, imoralidade (5:1), egoísmo (6:7), orgulho (4:3, 7,8), heresia (15:12) e ainda a crença no fato de terem determinados dons e que isso os faziam espirituais. Paulo propõe, no início do capítulo 12, ensiná-los a respeito de uma vida espiritual. Por isso ele começa dizendo que não quer que sejam ignorantes a respeito de como ser espiritual. A mesma palavra que Paulo usa no capítulo 3:1 (pneumatikós), também usa em 12:1. Por que traduzir de modo completamente diferente, se ele ainda está advertindo aos coríntios a deixarem suas práticas carnais e se voltarem para uma vida espiritual? Os coríntios precisavam aprender que o exercício dos dons espirituais não é evidência de uma vida espiritual, visto que os dons são concedidos por Deus mediante sua graça para um propósito específico, não há nos dons nenhuma motivação para gloriar-se, visto que não são concedidos por méritos. Também precisavam aprender que não há um dom comum a todos os crentes, “pois se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?” ( 12:19). Que eles tinham todos os dons é evidente (1:7). Que estavam mergulhados em muitos pecados também é evidente, contudo, o grande propósito da Carta é conduzi-los a uma vida espiritual.