“Ninguém esconde uma lamparina num móvel, depois de tê-la acendido ou a põe debaixo da cama, mas a põe sobre o candelabro, para que os que entram vejam a luz”. Lucas 8: 16. (Tradução do autor).
A parábola da lamparina tem o mesmo propósito da parábola do semeador, visto que Lucas, seguindo Marcos, as coloca lado a lado, dentro de uma mesma temática. Jesus havia tido um encontro com uma mulher na casa de um Simão fariseu. Nesse encontro, Jesus mostrou aos presentes que a Palavra de Deus deve ser anunciada a todas as pessoas indiscriminadamente, isto é, até para uma mulher com fama de pecadora. Com o episódio, pode-se aprender que das pessoas mais improváveis, Jesus pode receber um louvor inigualável.
Simão, o anfitrião, deveria ter honrado seu hóspede segundo a etiqueta da época, isto significaria tê-lo recebido com uma saudação calorosa (beijos), água para a lavagem dos pés e das mãos (rito religioso de purificação, chamado pelos judeus de batismo, Marcos 7:4) e perfume para unção (não se refere a rito religioso). No entanto, nada disso foi feito, mas repentinamente (dificilmente uma surpresa para Simão), uma mulher de má fama entra na casa e sem ser impedida, aproxima-se de Jesus e o toca, chorando e beijando seus pés, passa-lhe perfume. Jesus passivamente assiste toda a cena, provavelmente sabia do “plano”, e então conta uma pequena parábola e em seguida pergunta a Simão: quem ama mais? Quem teve uma dívida pequena perdoada ou aquele que teve uma dívida grande perdoada? Simão responde que quem amará mais é aquele que teve a maior dívida perdoada (7: 41-43). Jesus ainda falando a Simão a respeito da mulher, diz: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou.
Em seguida Lucas seleciona duas parábolas que procuram mostrar a importância de se anunciar a Palavra de Deus a todas as pessoas sem procurar avaliar quem seria digno ou não de ouvi-la. O semeador que lança a semente indiscriminadamente em terras que não são suas e a lamparina que deve estar em lugar visível para que possa iluminar a todos que se aproximam.
Assim, pode-se concluir que as parábolas do semeador e da lamparina são ilustrações inseridas num discurso em que a temática é a pregação da Palavra de Deus a todas as pessoas. Esse discurso é apresentado no episódio em que Jesus visita Simão, o fariseu, e a seguir são apresentadas duas ilustrações para facilitar a compreensão do ouvinte. Essas parábolas não constituem o centro do discurso, mas são periféricas.
Lucas termina essa seção utilizando palavras de advertência de Jesus a respeito de que nada ficará oculto para sempre, os pecados serão manifestos tanto daqueles que julgam não tê-los (Simão) quanto daqueles que notoriamente os admitem (mulher pecadora). E que precisamos ter cuidado com a forma com que ouvimos a Palavra de Deus, pois aquele que tem verdadeiramente aprendido e praticado, crescerá, mas aquele que acha que sabe (não-praticando), na realidade nada sabe e o pouco que talvez saiba, perderá.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
A Parábola do Semeador
“O semeador saiu a semear... parte caiu à beira do caminho... parte sobre a pedra... parte no meio dos espinhos... e parte na terra boa...” Lucas 8: 5-8.
A parábola do semeador, como qualquer outra, descreve a experiência cotidiana de seus primeiros ouvintes. É a partir dessa identificação, que se tem a oportunidade de entender o significado, embora, nem sempre, esse primeiro ouvinte conseguia alcançar o sentido que se propunha, necessitando, assim, de uma explicação, na qual a aplicação era feita. Diante disso, pode-se imaginar a dificuldade que terá um leitor moderno de qualquer parábola antiga, que não encontra nenhuma relação com sua experiência cotidiana. No caso da parábola do semeador, o Senhor Jesus nos deu a aplicação, por isso, apesar de não se identificar com a situação apresentada na parábola, pode-se compreendê-la, sem, contudo, entender plenamente a estória.
Uma vez que a parábola sempre tem relação com o cotidiano do seu primeiro ouvinte, é necessário perguntar: por que alguém semearia na beira da estrada, sobre pedras ou entre espinhos até achar uma terra boa, a qual não conhecia de antemão? Nenhum agricultor faria isso, a menos que não tivesse outra opção para sobreviver. Lucas, no seu livro, nos informa, muitas vezes, que os ouvintes do Senhor Jesus eram pobres (4:18;6:20;7:22 etc), então, não tinham terras para plantar, lhes sobrava a faixa de terra entre a estrada e a propriedade privada ou outra imprestável para o plantio. Esse pobre contava com a “misericórdia de Deus” para achar uma terra que fosse boa e produzisse o necessário para si e sua família por um tempo considerável até uma próxima colheita. Isto significa dizer que a sobrevivência desse pobre dependia do agir de Deus sobre uma natureza “morta”.
Certamente, se reconhece que uma parte no processo de plantar e colher não depende do agricultor, mas é necessário um esforço muito maior do que simplesmente lançar a semente ao chão. Precisa-se selecionar a terra boa, arar, adubar, fazer a cova, lançar a semente, retirar o mato indesejado ao longo do processo de crescimento da planta, regar, colher, armazenar etc. O semeador da parábola, mesmo que quisesse, não poderia fazer tudo isso, a sua dependência de Deus era muito maior que qualquer outro agricultor.
Sabe-se, pela explicação da parábola que o Senhor Jesus nos concedeu, que a semente é a Palavra de Deus (8:11), os tipos diferentes de terra são os corações dos homens (8:12) e as dificuldades para a semente produzir nas terras ruins também são explicadas pelo Senhor Jesus, bem como a produção extraordinária na terra boa é explicada pela retenção e perseverança do ouvinte da Palavra. Mas a razão pela qual alguém semearia de qualquer maneira em qualquer lugar, sem trabalhar a terra que não é sua, não é explicada. Contudo, seus primeiros ouvintes sabiam.
Se nós hoje também soubéssemos, entenderíamos que a pregação da Palavra deve ser feita indiscriminadamente (a toda criatura); que o frutificar da Palavra não depende de nossos esforços, só nos cabe semear; que as terras (as pessoas) não são nossas e nunca serão; que mesmo que a terra for boa (não sabemos de antemão), sua produtividade em relação à quantidade de semente é sem igual (milagre); que o cento a partir de uma semente pode mudar a realidade de muitos famintos, não apenas do agricultor...
Que Deus nos ajude a termos “ouvidos para ouvir” (8:8)!
A parábola do semeador, como qualquer outra, descreve a experiência cotidiana de seus primeiros ouvintes. É a partir dessa identificação, que se tem a oportunidade de entender o significado, embora, nem sempre, esse primeiro ouvinte conseguia alcançar o sentido que se propunha, necessitando, assim, de uma explicação, na qual a aplicação era feita. Diante disso, pode-se imaginar a dificuldade que terá um leitor moderno de qualquer parábola antiga, que não encontra nenhuma relação com sua experiência cotidiana. No caso da parábola do semeador, o Senhor Jesus nos deu a aplicação, por isso, apesar de não se identificar com a situação apresentada na parábola, pode-se compreendê-la, sem, contudo, entender plenamente a estória.
Uma vez que a parábola sempre tem relação com o cotidiano do seu primeiro ouvinte, é necessário perguntar: por que alguém semearia na beira da estrada, sobre pedras ou entre espinhos até achar uma terra boa, a qual não conhecia de antemão? Nenhum agricultor faria isso, a menos que não tivesse outra opção para sobreviver. Lucas, no seu livro, nos informa, muitas vezes, que os ouvintes do Senhor Jesus eram pobres (4:18;6:20;7:22 etc), então, não tinham terras para plantar, lhes sobrava a faixa de terra entre a estrada e a propriedade privada ou outra imprestável para o plantio. Esse pobre contava com a “misericórdia de Deus” para achar uma terra que fosse boa e produzisse o necessário para si e sua família por um tempo considerável até uma próxima colheita. Isto significa dizer que a sobrevivência desse pobre dependia do agir de Deus sobre uma natureza “morta”.
Certamente, se reconhece que uma parte no processo de plantar e colher não depende do agricultor, mas é necessário um esforço muito maior do que simplesmente lançar a semente ao chão. Precisa-se selecionar a terra boa, arar, adubar, fazer a cova, lançar a semente, retirar o mato indesejado ao longo do processo de crescimento da planta, regar, colher, armazenar etc. O semeador da parábola, mesmo que quisesse, não poderia fazer tudo isso, a sua dependência de Deus era muito maior que qualquer outro agricultor.
Sabe-se, pela explicação da parábola que o Senhor Jesus nos concedeu, que a semente é a Palavra de Deus (8:11), os tipos diferentes de terra são os corações dos homens (8:12) e as dificuldades para a semente produzir nas terras ruins também são explicadas pelo Senhor Jesus, bem como a produção extraordinária na terra boa é explicada pela retenção e perseverança do ouvinte da Palavra. Mas a razão pela qual alguém semearia de qualquer maneira em qualquer lugar, sem trabalhar a terra que não é sua, não é explicada. Contudo, seus primeiros ouvintes sabiam.
Se nós hoje também soubéssemos, entenderíamos que a pregação da Palavra deve ser feita indiscriminadamente (a toda criatura); que o frutificar da Palavra não depende de nossos esforços, só nos cabe semear; que as terras (as pessoas) não são nossas e nunca serão; que mesmo que a terra for boa (não sabemos de antemão), sua produtividade em relação à quantidade de semente é sem igual (milagre); que o cento a partir de uma semente pode mudar a realidade de muitos famintos, não apenas do agricultor...
Que Deus nos ajude a termos “ouvidos para ouvir” (8:8)!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A Defesa de Paulo Junto aos Gálatas
“Quero que vocês saibam, irmãos, que o evangelho anunciado por mim não tem sua origem no homem, nem o recebi nem o aprendi de algum homem, mas através da revelação de Jesus Cristo”. Gálatas 1:11-12 (tradução do autor).
Depois de alguns anos, após as igrejas da Galácia estarem estabelecidas. Surgiram, no meio delas, homens judeus, que vieram de Jerusalém, trazendo uma mensagem evangélica acrescida da Lei de Moisés. Destacavam principalmente certos ritos judaicos, que afirmavam, serem fundamentais àqueles que quisessem pertencer ao povo de Deus. Essa mensagem “judaico-cristã” estava diretamente confrontando com a boa nova trazida por Paulo a eles anteriormente, pela qual tinham, mediante fé, crido e sido salvos.
Paulo, surpreso pelos gálatas terem recebido essa mensagem diferente, decide escrevê-los apresentando uma defesa de sua mensagem evangélica. Essa apologia é estabelecida a partir de argumentos que poderiam ser atestados pelos próprios gálatas. Paulo apresenta seis argumentos numa ordem cronológica que correspondem também ao seu proceder ao longo de seu ministério.
O primeiro argumento apresentado por Paulo refere-se à origem de sua mensagem, levemente ele lembra aos gálatas a forma como sucedeu seu chamamento por Cristo e conseqüentemente seu doutrinamento. Ele foi ensinado por inspiração proveniente do próprio Cristo. Dos lábios do Cristo ressurreto, ele aprendeu o Evangelho (vv. 11-12).
O segundo argumento utiliza a transformação operada naquele que outrora era perseguidor da igreja e defensor violento da Lei de Moisés. Com isso, ele fortalece a ruptura da Lei como uma revelação divina. Tendo enorme zelo pela Lei de Moisés a ponto de se destacar entre os de sua idade pela forma radical e irredutível com que a defendia, Paulo apresenta a renovação de sua mente da Lei para a Graça como uma demonstração da superioridade do Evangelho da graça de Deus, o qual eficazmente operou em sua vida e conseqüentemente em sua crença (vv. 13-14).
O terceiro argumento mostra sua independência dos apóstolos em Jerusalém (os doze) e de outros cristãos, os quais poderiam ter-lhe ensinado. Contudo, a boa nova que anunciava não ficava devendo nada àquela pregada pelos doze apóstolos. Isso constituía uma prova cabal de que o mesmo Senhor que revelara aos doze o Evangelho é também aquele que revelou as doutrinas cristãs a Paulo (15-17).
O quarto e o quinto argumentos são empíricos. Paulo, em duas ocasiões, visitou Jerusalém e esteve com os apóstolos e com os presbíteros e afirma que eles não viram necessidade de acrescentar nada à mensagem evangélica de Paulo. Na primeira visita o tempo de permanência com Pedro seria curto para um aprendizado suficiente. Na segunda visita, aqueles que eram considerados “colunas” da igreja entenderam que, de fato, o Senhor Jesus tinha estado com Paulo, visto que o conjunto das doutrinas que pregava coadunava-se com aquela pregada por eles. Diante dessa averiguação, os próprios apóstolos e presbíteros de Jerusalém ratificaram o ministério de Paulo, quando publicamente manifestaram comunhão com ele (1:18-2:10).
O sexto argumento é baseado num incidente ocorrido em Antioquia envolvendo Pedro. Naquela ocasião Pedro e Barnabé foram persuadidos pelos cristãos “judaizantes” que era necessário acrescentar ao evangelho os ritos judaicos contidos na Lei de Moisés. Paulo resistiu a esses ensinos e declara que ele e os demais judeus cristãos sabiam que “o homem não é justificado por obras da Lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus” (2:15-16). Fica evidente que todos envolvidos no debate foram convencidos pelo argumento de Paulo que a salvação é exclusivamente pela graça de Deus mediante a fé (2:11-21).
Diante disso, somente restava aos gálatas reconhecerem que a mensagem anunciada por Paulo era, de fato, o Evangelho genuíno revelado por Jesus Cristo, poderoso para salvar o mais vil pecador, nos quais os gálatas se enquadravam. Glória a Deus pelo Evangelho da graça de Deus!
Depois de alguns anos, após as igrejas da Galácia estarem estabelecidas. Surgiram, no meio delas, homens judeus, que vieram de Jerusalém, trazendo uma mensagem evangélica acrescida da Lei de Moisés. Destacavam principalmente certos ritos judaicos, que afirmavam, serem fundamentais àqueles que quisessem pertencer ao povo de Deus. Essa mensagem “judaico-cristã” estava diretamente confrontando com a boa nova trazida por Paulo a eles anteriormente, pela qual tinham, mediante fé, crido e sido salvos.
Paulo, surpreso pelos gálatas terem recebido essa mensagem diferente, decide escrevê-los apresentando uma defesa de sua mensagem evangélica. Essa apologia é estabelecida a partir de argumentos que poderiam ser atestados pelos próprios gálatas. Paulo apresenta seis argumentos numa ordem cronológica que correspondem também ao seu proceder ao longo de seu ministério.
O primeiro argumento apresentado por Paulo refere-se à origem de sua mensagem, levemente ele lembra aos gálatas a forma como sucedeu seu chamamento por Cristo e conseqüentemente seu doutrinamento. Ele foi ensinado por inspiração proveniente do próprio Cristo. Dos lábios do Cristo ressurreto, ele aprendeu o Evangelho (vv. 11-12).
O segundo argumento utiliza a transformação operada naquele que outrora era perseguidor da igreja e defensor violento da Lei de Moisés. Com isso, ele fortalece a ruptura da Lei como uma revelação divina. Tendo enorme zelo pela Lei de Moisés a ponto de se destacar entre os de sua idade pela forma radical e irredutível com que a defendia, Paulo apresenta a renovação de sua mente da Lei para a Graça como uma demonstração da superioridade do Evangelho da graça de Deus, o qual eficazmente operou em sua vida e conseqüentemente em sua crença (vv. 13-14).
O terceiro argumento mostra sua independência dos apóstolos em Jerusalém (os doze) e de outros cristãos, os quais poderiam ter-lhe ensinado. Contudo, a boa nova que anunciava não ficava devendo nada àquela pregada pelos doze apóstolos. Isso constituía uma prova cabal de que o mesmo Senhor que revelara aos doze o Evangelho é também aquele que revelou as doutrinas cristãs a Paulo (15-17).
O quarto e o quinto argumentos são empíricos. Paulo, em duas ocasiões, visitou Jerusalém e esteve com os apóstolos e com os presbíteros e afirma que eles não viram necessidade de acrescentar nada à mensagem evangélica de Paulo. Na primeira visita o tempo de permanência com Pedro seria curto para um aprendizado suficiente. Na segunda visita, aqueles que eram considerados “colunas” da igreja entenderam que, de fato, o Senhor Jesus tinha estado com Paulo, visto que o conjunto das doutrinas que pregava coadunava-se com aquela pregada por eles. Diante dessa averiguação, os próprios apóstolos e presbíteros de Jerusalém ratificaram o ministério de Paulo, quando publicamente manifestaram comunhão com ele (1:18-2:10).
O sexto argumento é baseado num incidente ocorrido em Antioquia envolvendo Pedro. Naquela ocasião Pedro e Barnabé foram persuadidos pelos cristãos “judaizantes” que era necessário acrescentar ao evangelho os ritos judaicos contidos na Lei de Moisés. Paulo resistiu a esses ensinos e declara que ele e os demais judeus cristãos sabiam que “o homem não é justificado por obras da Lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus” (2:15-16). Fica evidente que todos envolvidos no debate foram convencidos pelo argumento de Paulo que a salvação é exclusivamente pela graça de Deus mediante a fé (2:11-21).
Diante disso, somente restava aos gálatas reconhecerem que a mensagem anunciada por Paulo era, de fato, o Evangelho genuíno revelado por Jesus Cristo, poderoso para salvar o mais vil pecador, nos quais os gálatas se enquadravam. Glória a Deus pelo Evangelho da graça de Deus!
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