quinta-feira, 4 de março de 2010

Quando a Fé Some

“E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertam e lhe dizem: Mestre, não te importa que pereçamos!” Marcos 4. 38.



Há muitos momentos na nossa vida que a nossa fé fica tão pequena que parece que sumiu. Não pense que isso só acontece com você, todos os discípulos passam por esses momentos difíceis. No episódio em que Jesus acalma a tempestade, vemos os discípulos demonstrando uma ausência de fé naquele que estava com eles e era poderoso para socorrê-los. A situação estava assustadora, tiveram um dia exaustivo de trabalho, e então, voltavam para casa tarde da noite atravessando o mar que, de repente, ao que parece, levantou-se um grande temporal e eles assustados e sabendo que o barco ia afundar, tentavam de várias maneiras controlá-lo. Ao perceberem que não conseguiriam, se convenceram que era o fim. Chocados com a “indiferença” de Jesus que dormia enquanto lutavam contra o mar revolto, fazem uma afirmação impressionante que, desta vez, choca Jesus, isto é, pensaram que Jesus não se importava se pereceriam ou não e então afirmam: mestre, não te importa que pereçamos! Observe que eles não estavam fazendo uma pergunta, eles estavam afirmando que o mestre não se importava com o destino deles. Foi exatamente essa afirmação exclamativa que chocou Jesus que se levanta, repreende a tempestade e em seguida censura-lhes a falta de confiança nEle. Jesus não esperava que eles repreendessem a tempestade e acalmassem o mar, pois isso é algo que somente Deus pode fazer, por isso quando a tempestade se acalma, eles perguntam entre si: “quem é esse que até o vento e o mar lhe obedecem?”. Mas Jesus esperava que mostrassem confiança nEle e que nunca pensassem que Jesus ficaria indiferente às necessidades deles. Creio que a censura se deu porque ao invés de pedir a Jesus que os socorresse, se convenceram que Jesus não “poderia” fazer nada para mudar a situação a não ser aquilo que qualquer homem faria nessa hora, lutar com seus braços contra a tempestade.
Será que, às vezes, não agimos dessa forma? No meio de uma grande “tempestade”, lutamos com todas as nossas forças para vencê-la e esquecemos que no nosso “barco” tem alguém que pode nos socorrer e acalmar a “tempestade?” Ou pensamos que Jesus não nos ajudará, visto sermos tão pecadores e muitas vezes tão infiéis? O que Jesus espera de nós é a confiança nEle, pois ”sem fé é impossível agradar a Deus”.
Portanto, não sejamos tímidos na nossa fé, sejamos firmes e inabaláveis, sabendo que o nosso Senhor Jesus está conosco até a consumação dos séculos e nos ama e se interessa pela nova vida, cheguemos a Ele com coração contrito e cheio de fé em oração, pois Ele cuida de nós. Aleluia!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Espirituais

“E eu, irmãos, não pude falar a vocês como a espirituais, mas como a carnais, como recém-nascidos em Cristo”. “A respeito de sermos espirituais, irmãos, não quero que vocês sejam ignorantes”. I Coríntios 3:1 e 12:1. (Tradução do autor).


Apesar das duras advertências feitas pelo apóstolo Paulo aos coríntios, em nenhum momento ele crê que os coríntios não eram salvos pela fé em Jesus Cristo, suas duras palavras procuravam despertá-los para uma vida cristã que demonstrasse a imagem de Cristo através do poder do Espírito Santo. Os coríntios não estavam vivendo uma vida controlada pelo Espírito Santo, mesmo assim, Paulo não diz que não tinham o Espírito Santo. Ao chamá-los de irmãos, ele afirma que O tinham, mas teria de falar-lhes como se não tivessem, isto é, como a carnais. Ao fazer a oposição entre carnal e espiritual, Paulo mostra que existe a possibilidade de se encontrar crentes verdadeiros que, num determinado momento, vivem dominados pelo pecado de tal forma que parecem que não são crentes. No Caso dos coríntios, nos primeiros capítulos, Paulo aponta um grave pecado no qual estavam vivendo, isto é, facção. “Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo” (1:12). A divisão entre eles era evidência de uma vida em que os desejos carnais dominavam. Semelhantemente aos descrentes, disputavam em grupos separatistas, ignorando a unidade do Corpo de Cristo, em quem foram salvos.
Ao longo da primeira Carta, Paulo procura despertá-los para uma vida espiritual baseada no fruto do Espírito: amor (13:1-3), longanimidade e benignidade (13:4), domínio próprio (13:4-5), bondade (13:5), fidelidade (13:7), mansidão (13:5, 7), alegria (13:6) e paz (13:7). Ele os convida a um caminho melhor, um caminho que os conduzirá a uma vida espiritual. Diante de tantos pecados: facção, imoralidade (5:1), egoísmo (6:7), orgulho (4:3, 7,8), heresia (15:12) e ainda a crença no fato de terem determinados dons e que isso os faziam espirituais. Paulo propõe, no início do capítulo 12, ensiná-los a respeito de uma vida espiritual. Por isso ele começa dizendo que não quer que sejam ignorantes a respeito de como ser espiritual. A mesma palavra que Paulo usa no capítulo 3:1 (pneumatikós), também usa em 12:1. Por que traduzir de modo completamente diferente, se ele ainda está advertindo aos coríntios a deixarem suas práticas carnais e se voltarem para uma vida espiritual? Os coríntios precisavam aprender que o exercício dos dons espirituais não é evidência de uma vida espiritual, visto que os dons são concedidos por Deus mediante sua graça para um propósito específico, não há nos dons nenhuma motivação para gloriar-se, visto que não são concedidos por méritos. Também precisavam aprender que não há um dom comum a todos os crentes, “pois se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?” ( 12:19). Que eles tinham todos os dons é evidente (1:7). Que estavam mergulhados em muitos pecados também é evidente, contudo, o grande propósito da Carta é conduzi-los a uma vida espiritual.

sábado, 19 de setembro de 2009

O Que é o Inferno?

“E eu também digo a ti que tu és Pedro, e sobre esta rocha construirei a minha igreja e as portas da morte não vão segurá-la” Mateus 16: 18 (tradução do autor).


O uso da palavra “inferno” para traduzir várias palavras diferentes no Novo Testamento (NT) e a influência da mitologia Greco-romana levaram a um conceito completamente diferente de inferno daquele apresentado no texto original do NT. As palavras hades, geena e tártaro são traduzidas pela maioria das traduções por inferno. No entanto, elas apresentam conceitos distintos. Hades (4 vezes nos Evangelhos e 3 no Apocalipse) era a palavra usada na cultura grega para apontar o lugar para onde as almas dos mortos iriam; geena (11 vezes nos Evangelhos e 1 em Tiago) era o lugar onde ao redor de Jerusalém jogavam o lixo, restos de animais e indigentes, ou seja, o lixão. Por ser um lixão produzia um gás que mantinha o fogo aceso ininterruptamente. Jesus usa essa palavra para descrever o lugar de punição para os ímpios (Mt. 5: 22); tártaro (1 vez) descreve o lugar de prisão dos anjos caídos (2 Pe. 2: 4), na mitologia grega era o lugar onde foram aprisionados os deuses (colossos) derrotados numa batalha entre deuses.
Em nenhuma passagem no NT o Diabo é apresentado habitando o hades, geena ou tártaro. No Evangelho (Mt. 4:1) e nas epístolas (2 Co. 4: 4; Ef. 2: 2; 1 Pe. 5: 8) ele é apresentado habitando a terra, influenciando, tentando e cegando os homens. Sobre sua aparência não há nenhuma indicação de chifres e cauda, pelo contrário, ele se apresenta como anjo de luz (2 Co. 11: 14). De onde vem, então, a “crença” que o “inferno” é governado por Satanás e que lá ele atormenta as almas com um garfo de três dentes e que sua aparência é horrível? Certamente não vem da Bíblia. Na verdade, vem da mitologia grega. Pois nela havia o deus Hades que governava o mundo subterrâneo para onde as almas dos mortos iriam.
O Diabo será preso, segundo Apocalipse 20: 1-3, na vinda do Senhor Jesus à terra para estabelecer seu Reino Milenar, será solto após os mil anos, vencido e lançado para todo sempre no lago de fogo (Ap. 20: 10). Seria o lago de fogo o inferno? Pode ser que sim, contudo, Satanás não o governará, lá ele será punido eternamente. A morte e o hades serão lançados no lago de fogo (Ap. 20: 14). Diante disso, o que é o hades? Hades é o lugar onde os mortos estão. A partir da passagem do Rico e Lázaro (Lucas 16: 19-31), podemos concluir que: há uma separação entre a parte que os salvos habitam e a parte que os ímpios habitam (Lc. 16: 26); os ímpios podem ver os salvos (23); há lembrança da vida na terra (27, 28); há tormentos para os ímpios (23); há refrigério para os salvos (22, 25); não há possibilidade se passagem entre as partes (26); a única possibilidade de retorno a terra é pela ressurreição (31). Já que as portas do hades não deterão a igreja, pois ela ressuscitará, temos a esperança da vida eterna. Enquanto os que morrerem sem Cristo permanecerão no hades até ao dia em que ressuscitarão para a condenação eterna, a segunda morte (Ap. 20: 5, 11-13), o lago de fogo.
Em Mateus 16: 18, Jesus não estava se referindo a uma batalha entre o reino de Satanás e o Reino de Deus, embora o conceito de que exista essa batalha está presente no NT (Ef. 6: 12). Mas nesse momento Jesus estava se referindo ao poder da igreja frente à morte. O uso da palavra “porta” indica retenção ou resistência e nunca poderia indicar ataque. Jesus nos ensina que as portas do reino da morte não poderão deter a igreja. Aqueles que morrerem em Cristo vencerão a morte, ou seja, as portas da morte não prevalecerão contra a igreja de forma que possam impedi-la de sair. Jesus aponta o futuro, pois o último inimigo a ser vencido será a morte (1 Co. 15: 54-56).
Jesus Cristo é a rocha na qual a igreja está fundamentada (1 Pe. 2: 6-7). Diante das muitas opiniões acerca de quem seria ele, Jesus pesquisa entre seus discípulos o que eles crêem a seu respeito. A resposta de Pedro mostra que de fato criam na divindade de Cristo “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus, então, consola seus corações a respeito da morte ao dizer que a igreja não permanecerá na morte, assim como Ele vencerá a morte, tornando-se o primeiro de muitos, assim também a igreja vencerá (1 Co. 15: 20-23). Jesus os está preparando para o evento de sua morte e apontando que sua morte não será o fim, mas o começo de uma nova era.
Graças a Deus que as portas da morte não deterão a igreja!